Dilemas de um Músico



Músico ou Professor? Posso ser as duas coisas?

Douglas Padial

Trabalhar com arte é trabalhar com o subjetivo, pois uma obra artística, normalmente, retrata experiências e percepções de vida do criador, exprime uma ideia, uma emoção um momento com o foco exclusivo de um compositor, por exemplo.

Penso que uma manifestação artística é uma combinação intangível que une preparo (conhecimento da arte), de foco (visão), de sensações e de sentimentos exclusivos e totalmente inerentes ao artista, de maneira que nada poderá nos trazer a real intenção e ideia que existe por trás de uma obra, a não ser que o próprio artista fale ou que tenhamos ferramentas para uma analise criteriosa, mas ainda sim, sem certeza.

Uma composição musical, assim como qualquer manifestação artística, é um processo de expressão de muitas propriedades do compositor que são exclusivas, ninguém terá sua percepção assim como você a tem, ninguém fará algo assim como você faz, ninguém pensará assim como você pensa.

Acredito que um artista só será um bom artista quando for capaz de exprimir suas percepções através de muito estudo, conhecimento e principalmente quando souber utilizar as inúmeras ferramentas musicais a favor de si mesmo e a favor da sua obra.

Um bom médico, daqueles que só em te olhar e já é capaz te fazer um “Raio X” completo, não clinica sem ter muito estudo a respeito de sua profissão, o Oscar Niemeyer não se transformou em um dos maiores ícones da arquitetura brasileira sem muito estudo, sem muito esforço e sem muita sensibilidade artística impressa em suas obras. Então por que que um artista pode ser diferente? Porque que muitos músicos vivem com aquele discurso do “sou a favor do feeling”?

Prefiro chamar de talento, pois a tradução de feeling é algo em torno de “sensação, sentir, sentindo-me”, pois como você conseguiria expressar seus sentimentos verbalmente se não tivesse ido à escola e aprendido a ler, escrever, interpretar, etc.?

Considero que talento é uma pré-disposição, uma aptidão que lhe foi dada gratuitamente. Eu vivenciei isso e cheguei a observações pessoais que aptidão é um conjunto de possibilidades de absorção de conhecimentos, como disse é apenas um conjunto de possibilidades, tão somente de possibilidades.

Talento e capacidade artística sem estudo, conhecimento e esforço, são como um Steve Jobs trabalhando de cozinheiro, um Romário como jogador de basquete, um Anderson Silva como tratador de cãezinhos peludinhos, fofinhos e lindinhos.

Ok, falei sobre artista, mas o que isso tem haver com professor?

Quando você tem clareza de algo e efetivamente incorpora conhecimentos à sua vida, aquilo passa a ser seu, passa a fazer parte do seu corpo e do seu espirito, e tudo aquilo que é seu, que vem de dentro, é transmitido com tranquilidade, nitidez e certeza e isso pode te fazer um excelente professor.

Um músico que tem a capacidade de incorporar ao seu espirito conhecimentos e que consegue exprimir tudo isso em sua obra, inevitavelmente será um grande professor.
Sabe por quê?

Por que quando algo vem de dentro, vem do espirito, a propagação disso passa ser natural, passa a ser fácil, passa e ser clara e nítida, passa a ser tangível.

Portanto, posso ser músico e professor? Claro que sim… ;)

Douglas Padial é músico (e professor!). Mantem  um projeto:

http://douglaspadial.com.br/

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