Entrevista: Inajara Nascimento, Arquiteta



Na sua opinião, qual a importância da arquitetura para o desenvolvimento urbano, em relação a projetos públicos e privados?

Cidades são feitas para as pessoas. E a arquitetura promove isso mais do que qualquer forma de interação. Infraestrutura, lazer e mobilidade urbana integram as pessoas às suas cidades. Nesse sentido, a arquitetura no espaço urbano interfere na vida social e econômica de todos. As pessoas ocupam os espaços porque admiram o lugar onde moram, onde vivem com a família. Um exemplo bem claro disso é o legado deixado por obras de revitalização trazidas por grande eventos esportivos, como as Olimpíadas, que transformam as cidades de uma forma profunda.

Quais as vantagens para o cliente em realizar um projeto de interior na residência?

São inúmeros benefícios. Além de ter um projeto exclusivo que atenda todas as suas necessidades e estilo, o arquiteto harmoniza as ideias de decoração. Nem sempre o que o cliente quer é o que ele precisa. Portanto, o arquiteto irá ouvir e entender a família e, mais do que isso, orientar e criar mecanismos para aliar no projeto fatores estéticos, funcionais e econômicos, com aproveitamento ideal dos espaços. O projeto irá orientar o cliente de acordo com suas possibilidades.

A autoconstrução leva, entre outros problemas, ao uso inadequado de materiais, que vai desde o desperdício até a escolha de fornecedores que não são confiáveis. No fim, o imóvel não terá o resultado esperado e seu valor de mercado será inferior pela falta de adequação estética e técnica.

O arquiteto também tem um maior conhecimento dos materiais, seus tipos, estilos que combinam com cada ideia. Como estudamos tendências e referências, as ideias surgem com muito mais qualidade e são embasadas em aspectos técnicos.
Enfim, com um profissional, a experiência será menos estressante. É um investimento que vai valorizar o espaço para a pessoa e sua família.

O que as equipes e empresas têm a ganhar com um projeto pensado exclusivamente para a atuação do negócio?

Passamos muito tempo no espaço de trabalho. Por isso, é essencial oferecer aos colaboradores e clientes um ambiente inspirador, agradável, funcional e, principalmente, seguro, pensando em coisas como ergonomia, luminotécnica, acústica, térmica e segurança de acordo com as necessidades do espaço, da atividade e das pessoas que vão utilizar. Além disso, um bom projeto de arquitetura deve expressar a visão, os valores, a essência do negócio e o que ele pretende alcançar. Mantém o conforto para clientes e funcionários e aumento da produtividade.

Em que momento você descobriu a arquitetura como a carreira que você queria seguir?

Quando resolvi optar por arquitetura, eu tinha uma ideia muito restrita sobre tudo que envolve esta atividade. Escolhi por achar uma profissão interessante, que lida com o “belo”. Eu achava legal ser arquiteta. Ao entrar para a faculdade, deparei-me com uma outra realidade, onde percebi que é preciso ir muito além do “lindo”. Aspectos das mais diversas ordens têm que ser considerados e adequados para que um projeto possa ser concebido e executado de forma a atender exigências de ordem estética, funcional, de segurança, sanitária, econômica (de acordo com o bolso do cliente), normativa, entre outras. Foi desafiante, mas me encantei ao perceber que o meu trabalho transforma e melhora a qualidade de vida das pessoas.

Fale-nos um pouco sobre a atuação do seu escritório de arquitetura?

Formada em 2002, atuo há 18 anos no mercado, grande parte com arquitetura de interiores residenciais e comerciais, reformas e consultorias tanto online quanto presencial nessas áreas.

Em todos esses anos, nunca entreguei um projeto sem acompanhamento, sempre com muita responsabilidade e respeito ao cliente e a todos os profissionais envolvidos em uma obra (que são muitos). Isso me trouxe muita experiência e segurança para ajudar meus clientes nas soluções que eles necessitam.

A missão é ajudar pessoas e, quando alcançamos o êxito, é um sentimento incrivelmente satisfatório. Nossa profissão é dinâmica. Cada projeto tem que abraçar e compreender a individualidade de cada pessoa. Lidamos com muitos profissionais. A arquitetura é em primeiro lugar um ato social. O arquiteto português Fernando Távora dizia que o arquiteto era fazedor de espaço e criador de felicidade. Isso resume bem o que penso.

Na sua visão, qual o impacto que teremos no pós-pandemia em relação aos projetos arquitetônicos e de interiores em residências e empresas?

As medidas de isolamento e distanciamento social alteraram a forma como nos relacionamos socialmente, no trabalho e principalmente com nós mesmos e a nossa casa. Descobrimos novas necessidades. Um exemplo são os halls de entrada, que precisam ser mais funcionais enquanto antes só se pensava na estética.
Todo espaço disponível pode ser aproveitado de forma a conferir funcionalidade. Com o isolamento, as pessoas sentiram-se mais ansiosas, surgindo a necessidade de humanizar mais suas residências com plantas que trazem enorme benefício estético e de bem estar, áreas para fazer exercícios físicos – mesmo quem era sedentário viu na prática de atividades físicas uma forma de aliviar a ansiedade que o momento causa e melhorar sua qualidade de vida.

Antes, a tendência era varandas fechadas e integradas à sala. Acredito que isso vai mudar. As pessoas sentiram falta de espaços abertos para tomar sol e arejar a cabeça. Houve uma enorme demanda por home office. Inicialmente, muitos improvisaram a mesa de jantar para o trabalho, mas perceberam que é realmente necessário ter um local adequado para exercer suas atividades com organização, produtividade e privacidade.

De outro lado, as empresas perceberam que a produtividade, em muitos casos, aumentou e suas despesas com infraestrutura diminuíram, sendo bastante vantajoso. Talvez venha se tornar uma realidade pós-pandemia. Acredito também que vão surgir materiais de revestimentos de fácil manutenção e mais sustentáveis.

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