O bom colaborador é o que resolve e não o que traz problemas



Entrevista com José Tocchetto de Oliveira, professor e consultor empresarial nas áreas de qualidade, responsabilidade social,  meio ambiente,  saúde e segurança do trabalho. 

Consultor e professor, José Tocchetto de Oliveira é engenheiro Químico e de Segurança do Trabalho, Pó-graduado em Gestão Empresarial (FGV). Cursando pós-graduação em Perícia,  Auditoria e Gestão Ambiental. Nesta entrevista fala sobre empresas, a destacar diversas áreas, tais como qualidade e responsabilidade social.

Tocchetto é auditor líder ISO 9001:2015, 14001:2015, OHSAS 18001:2007 e SA 8000:2014; Capacitação em Gestão da Responsabilidade Social pela norma ISO 26.000 e Responsabilidade Social Corporativa (ABRH-RS).

Diretor da Tocchi Empresarial Consultoria, desde 2000, atuando como consultor, auditor e instrutor em sistemas de gestão Integrada. Foi auditor da DNV por 11 anos atuando em diversos clientes nas normas de qualidade e responsabilidade social. Avaliador independente do relatório de sustentabilidade do GRI. Professor da pós-graduação do IPA-RS, ministrando a cadeira de Planejamento e operação da segurança do trabalho.

Tocchetto falou com profundidade sobre carreira, capacitações, mercado de consultoria, responsabilidade social e diversos outros assuntos com o conhecimento de quem está mergulhado neste ambiente de negócios e gestão.

Acompanhe a entrevista:

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Fotos: Marion Rupp

– Muito se fala em qualidade no âmbito de organizações. Qual sua definição de qualidade?

Qualidade em tudo que se faz. Vender bem, comprar bem, produzir produtos em acordo com as especificações, atender o cliente naquilo que a empresa promete para ele, economizar recursos, guardar parte do lucro e reinvestir o resto na empresa, atender a legislação aplicável, cuidar das pessoas da organização, reduzir riscos para o negócio, enfim. Definir como as coisas devem ser feitas na empresa para darem certo da primeira vez, fazer como foi definido e ir melhorando a medida que surjam as oportunidades.

– No dia a dia das pessoas, no cotidiano, como elas podem implementar conceitos de qualidade?

As empresas possuem uma sistemática de trabalho, escrita em procedimentos ou não, que devem ser seguidas e/ou melhoradas. Se todos seguirem as orientações e trabalharem de acordo com o que está definido, o resultado do seu trabalho será sempre bom ou ótimo. O que acontece muitas vezes é as pessoas fazerem como acham mais fácil, desconsiderando o que foi pensado e planejado, originando problemas que não precisariam existir.

Se tem um jeito estudado e já testado de fazer alguma coisa, por que fazer diferente? Resultado vai ser diferente e este diferente pode ser fora de especificação, produto ruim, serviço mal feito, cliente insatisfeito, custo maior, risco para as pessoas e meio ambiente, entre outras tantas consequências ruins que podem acontecer.

– Como empreendedor, como você análisa os negócios nestes tempos de agilidade tecnológica?

A tecnologia é um diferencial para quem se adequa primeiro. Depois de um tempo todos terão à disposição a mesma tecnologia. Alguns ainda não vão usar e estes ficarão fora do mercado ou pelo menos dos grandes contratos de trabalho ou fornecimento. Ontem estava falando com um cliente que citou a rapidez como a KODAK e outras empresas do ramo ficaram obsoletas rapidamente com as fotos digitais. Um negócio que era muito forte e rentável desmoronou em 2 anos. Hoje não se usa mais pranchetas e cadernos para fazer inspeções em campo, seja de que negócio for. Hoje se usa um aplicativo no celular que transmite dados diretamente para o servidor localizado na empresa que os processa em tempo real e pode atuar muito mais rapidamente no que for preciso.

– O que é ser um bom colaborador, dentro das empresas?

Hoje o bom colaborador é o que resolve (traz soluções) e não o que traz problemas. Aliás, sempre foi assim. Hoje usamos outros termos, como pró ativo, empreendedor, age como se fosse o dono da empresa. O que as empresas esperam dos seus colaboradores é que sejam competentes (capacitados e hábeis), organizados e disciplinados, com visão gerencial e foco em resultados, com inteligência emocional, auto motivados e que aguentem a pressão do dia a dia.

Hoje temos cada vez mais coisas para fazer em menos tempo e não temos tempo a perder com bobagens. Briguinhas por espaço, para ver quem agrada mais o chefe, enroladores de uma forma geral estão com os dias contados nas empresas de alta performance, se é que ainda estão lá.

– Conhecimento e profissão. Como os profissionais podem investir melhor na carreira?

O conhecimento é um bem acumulável que vamos agregando a nossa bagagem, gerando a experiência. Tudo o que estudamos um dia, onde trabalhamos, o que fizemos, poderá ser necessário no futuro. Nunca se perde tempo estudando e aprendendo alguma coisa.

A profissão normalmente escolhemos muito cedo, quando ainda nem sabemos direito se realmente vamos gostar do curso que nós escolhemos ou vamos nos adaptando aos trabalhos que vão aparecendo pela frente e nos quais acabamos nos especializando.
O importante é ser bom no que se faz. É investir na carreira para brilhar, seja qual a for a profissão.

Se o profissional não se sentir bem na carreira escolhida ou na empresa em que trabalha, sempre poderá escolher mudar. Sempre haverá trabalho e reconhecimento para os bons.

– Responsabilidade social: como anda de fato a consciência das empresas?

Hoje o termo da moda é sustentabilidade, que inclui a responsabilidade social, a responsabilidade ambiental e a responsabilidade econômica das empresas. É o chamado tripé da sustentabilidade, ou Triple Bottom Line. Sem uma das partes não existe o todo. As empresas têm que se preocupar e gerenciar as 3 perspectivas, que para muitos se confundem com outros temas da moda como compliance, responsabilidade socioambiental, gestão de riscos do negócio, atendimento à legislação, entre outros. Hoje a ISO 26000, de 2010, é um guia que trata das 3 perspectivas sob o Título de Responsabilidade Social. É a mais completa e moderna norma hoje disponível no mercado e que trata de todos estes assuntos fornecendo diretrizes para as empresas seguirem e se organizarem. Não é uma norma certificável, mas um guia muito bom.

Talvez a melhor definição disto tudo seria Responsabilidade Empresarial, da qual, independente do assunto, todas as empresas precisam ter, controlar e principalmente demonstrar de forma consistente, para reduzir seus riscos e atingir resultados planejados.

Respondendo a pergunta, cada empresa está num estágio deste processo de responsabilidade empresarial, sendo que as multinacionais que atuam no país e as grandes empresas nacionais, lideram o movimento de adequação das suas cadeias de valor, de forma a proteger suas marcas e aumentar o valor se suas empresas e grupos econômicos. Este movimento de maiores exigências de adequação dos fornecedores e parceiros faz com que haja elevação do nível de consciência dos empresários e por consequência de ações nas suas empresas visando atender a demanda do mercado.

– Qual o maior desafio de uma empresa quando ela quer investir na área de responsabilidade social?

O primeiro grande desafio é decidir o que fazer primeiro, onde focar os esforços e recursos da empresa e definir quais objetivos deverão ser alcançados. A Responsabilidade Social, ou empresarial, tem um amplo escopo de atuação.

As empresas podem já ter uma vocação social pelo seu ramo de atuação ou cultura, seja dos empreendedores ou da empresa mesmo. Pode ter vontade de trabalhar com determinado público alvo. Então o melhor é iniciar pelo Planejamento Estratégico social, fazendo uma grande avaliação ou diagnóstico, envolvendo as questões externas e internas inerentes a empresa e a seu negócio. Como fruto do planejamento, serão definidas ações estratégicas sociais e os respectivos programas para implantação.

O segundo grande desafio, em termos de ordem de execução e não por ser menos importante, é incorporar a Responsabilidade social na estratégia da empresa, para que seja realmente praticada no dia a dia de todos, independentemente dos níveis hierárquicos existentes e das decisões que devem ser tomadas.

O terceiro desafio que merece destaque é a incorporação das partes interessadas na análise social da empresa e o gerenciamento desta relação. Mas isto o planejamento estratégico social ou o planejamento estratégico global da empresa, envolvendo o social, ajudará a definir e realizar.

– Qual sua visão de futuro do mercado de consultoria?

Hoje tem muita consultoria no mercado. Consultoria de tudo e todos os tipos de consultores. Todas as pessoas demitidas de grandes empresas em função da crise econômica e que tenham alguma experiência acabam virando consultores. Até pessoas sem muita experiência viram consultores. De outro lado existem todos os tipos de empresas que demandam serviços de consultoria. Seja por não ter o conhecimento e a experiência sobre determinado assunto, seja por falta de tempo de fazer sozinho, seja por que “santo de casa não faz milagre”. O que vemos é que há mercado para todos e que a tendência é aumentar a disponibilidade de “consultores” e aumentar as “necessidades” das empresas por contratar consultorias.

O que as empresas devem analisar é se realmente precisam de consultoria e que tipo de consultoria devem contratar. Este é o ponto central. Os consultores mais experientes e com maior bagagem de conhecimento e prática vão ajudar as empresas a fazer mais rápido e melhor, pois já conhecem os atalhos para o sucesso no seu escopo de atuação. Já os menos experientes, vão ajudar a suprir mão-de-obra especializada e economizar o tempo dos gestores atarefados.

Cada empresa vai definir estas questões de forma a atingir seus objetivos e metas, de preferência com base no que foi definido no seu planejamento estratégico.

Site
http://tocchiempresarial.com.br/

Entrevista a Manoel Fernandes Neto

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